Sob a responsabilidade de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), esteve o tema Ambiente de pesquisa no Brasil.

 

Ao partir da premissa de que Pesquisa e Desenvolvimento é uma parte importante da Inovação, Brito apresentou os programas da Fapesp para desenvolvimento de pesquisas, inclusive para pequenas empresas, frisando a importância do envolvimento governamental no estímulo à P&D. “O Brasil tem buscado melhorar o ambiente para inovação. P&D está na pauta do governo desde 1999, e vem desenvolvendo-se desde então. Exemplo é a Lei da Inovação, que reduz os obstáculos para empresas se envolverem”, comentou ao lembrar as regionalidades do País. “São múltiplos Brasis. Por isso é fundamental considerar diferenças regionais nas políticas para Inovação e cuidar para que os incentivos não sejam desincentivos, ou seja, não percam a efetividade frente aos obstáculos”, recomendou, listando o custo trabalhista, tributos, sistema de propriedade intelectual lento, insegurança jurídica com instabilidade de normas, infraestrutura deficiente, política de desenvolvimento introvertida e corrupção como empecilhos ao investimento.

Brito Cruz também falou sobre os números do investimento em P&D. Tomando os dados de 2012 como base, no Estado de São Paulo, segundo ele, do total injetado em P&S, as empresas respondem por 59% do total investido – percentual que é superior ao usualmente pratico no Canadá e similar ao da Inglaterra e França – enquanto o Estado fica com 24% e a Federação com apenas 14% do total estadual. Em nível nacional, a atividade empresarial responde por 39%, volume idêntico ao da Federação, e os organismos dos Estados ficam com 19%. “O quadro se inverte quando olhamos apenas os investimentos sem incluir o Estado de São Paulo. Os recursos federais tomam a frente, com 59% do total, seguido das empresas (23%) e dos recursos estaduais (15%)”, explica. Vale ressaltar que, em qualquer um dos cenários, as instituições de ensino e pesquisa privadas respondem por 2% do total.

Ao finalizar sua apresentação, o diretor científico da Fapesp defendeu a importância do fortalecimento da relação Universidade-Empresa, citando como exemplos de sucesso a Embraer, a Unicamp e o CPqD. Segundo Brito Cruz, apenas a Unicamp, “nos últimos 30 anos, criou 454 empresas, que garantem 22 mil empregos e faturam R$ 3 bilhões”.