A visão daqueles que no dia a dia aplicam a IoT à serviço da sociedade e de negócios foi apresentada por Reinaldo de Bernardi, diretor da Ciag; Mário Lemos, gerente Sênior da Accenture Digital; e Eduardo Arcas, gerente de Cloud e IoT da Ericsson.

 

Agricultura digital: da teoria ao chão da fazenda – O Brasil destaca-se no cenário nacional como produtor e fornecedor de alimentos e deve conseguir ainda mais destaque em função da necessidade de atender à estimativa da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) de que até 2050 a população mundial atingirá a casa dos 9,5 bilhões de pessoas. Para isso, mais do que produzir alimentos, é fundamental ampliar a produtividade das áreas cultivadas.

Neste cenário, estimulada por forças macroeconômicas, a agricultura digital situa-se como ferramenta fundamental e gera demandas exponenciais por novas tecnologias como veículos autônomos, robôs, sensores conectados, federações de dados e bigdata geoespacial. Ou seja, a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês de Internet of Things) não apenas chega ao campo, mas contribui para sua maior eficiência.

A aplicação prática da IoT, Big Data e Analytics em áreas de produção agrícola foi apresentada por Reinaldo de Bernardi, diretor da Ciag.

“Produzir mais é a solução óbvia para evitar o risco de falta de alimentos para a população mundial, mas, qual parcela deste produzir mais poderia ser atendida em outros movimentos como, por exemplo, menos desperdício ou até produzir melhor?”, provoca Bernardi.

 

Negócios – Focando no impacto que IoT está trazendo e trará aos negócios, Mário Lemos, gerente Sênior da Accenture Digital, apresentou estatísticas e oportunidades futuras, buscando sinalizar as barreiras para adoção da IoT em um mundo que está conectado, onde os elementos básicos de conexão registram os preços mais baixos da história. Sua conclusão é de que o aspecto financeiro tem peso substancial, porque IoT “é somente um meio e o que se pretende é melhorar o engajamento com o cliente, ser mais eficiente, trazer receitas não-convencionais, exigindo mudança no modelo de negócio”.

Lemos também frisou a necessidade de a “IoT ser simples, e ainda não é porque a quantidade de redes, sensores etc. é muito grande, há mais de 300 plataformas no mercado. Para um aplicativo, há vários silos do ecossistema por trás, pois não se faz IoT sozinho, sem parceiros”.

Segundo o gerente da Accenture, esses problemas de ecossistema são inibidores da IoT. Deixou uma esperança, fundamentada na realidade já construída pela empresa fora do Brasil e que começam a surgir também em território nacional: “as empresas querem e precisam de eficiência operacional. IoT deve ser vista como ferramenta de gestão empresarial e de tomada de decisão. Muitas vezes, até temos tudo, mas os dados coletados não são usados, e o aumento do uso da IoT está baseado no resultado. A parte mais revolucionária da IoT é quando trabalhamos com o cliente e obtemos receitas diferencias e mudança de modelo de negócio, pois como há muita informação disponível, pode descobrir que é melhor vender serviço do que equipamentos, máquinas”.

 

Sociedade – Cloud, 5G e conexão. Essas, segundo Eduardo Arcas, gerente de Cloud e IoT da Ericsson, são as necessidades físicas para que o futuro aconteça e se forme a “Networked Society, que é o foco de nossa atuação e envolve um ecossistema dependente de agilidade, eficiência e inovação, com tudo sendo desenvolvido para beneficiar as pessoas”.

Os desafios avistados nesse cenário pelo executivo da Ericsson se relacionam a complexidade, agilidade e custo. As soluções não serão encontradas por um, apenas, mas pela união e troca de experiências, tornando uma necessidade o trabalho com parceiros.