“IoT não é mais uma escolha, mas questão de sobrevivência e é preciso repensar os modelos de negócios, e a tendência é negócio digital sob demanda, com tempo de resposta cada vez menor. Outros dois pontos são importantes: a tecnologia ser invisível ou pervasiva, como é nossa relação com a energia elétrica, ou seja, não me preocupo com ela; e o conceito de que os homens trabalham com máquinas”. Essas foram as observações iniciais de Luis Mangi, vice-presidente de pesquisas do Gartner, que respondeu por uma sessão no 1º Congresso e Latino-americano de IoT.

Ao longo da apresentação, Mangi fez várias previsões, constatações e alertas, frisando que “estamos na era dos algoritmos, que processam recursos digitais, operacional e humanos, constituindo-se a mistura do mundo físico com o mundo digital. A capacidade de construir algoritmos é o que mede, hoje, a capacitação da empresa”, garantiu, fundamentado em estudos do Gartner que estima a adição de US$ 3 trilhões em IoT até 2020.

Nesse cenário, “cada mercado é único. Então, esperar não é uma opção. Tecnologia deixou de ser suporte e passou a ser o negócio em si. TI precisa assumir a liderança do negócio sob demanda. O momento não é de fazer inovação na fronteira do negócio, mas no core da empresa. É preciso concentrar atenção e esforços em eficiência e economia de custos, promover experiência para o cliente, com novas formas de relacionamento, e aumento de receita via novas funcionalidades”            , alertou o vice-presidente de pesquisas do Gartner.

Entre os caminhos sinalizados por Mangi, está o entendimento de que “um negócio digital é continuamente monitorado, adaptado e dimensionado em resposta a eventos ambientais. Estas características arquitetônicas podem ajudar a transformar um negócio tradicional em um negócio digital sob demanda”, explicou.

 

Painel – Após sua apresentação, Mangi coordenou um painel sobre os principais desafios para IoT no Brasil e na América Latina, que contou com a participação de Márcia Ogawa Matsubayashi, sócia-líder da área Indústria TMT da Deloitte; Paulo Manuel Protásio, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro; e Gabriel Marão, presidente do Fórum Brasileiro de IoT.

Os modelos de negócios e a dificuldade de as grandes empresas mudarem seus modelos; clareza na visão do negócio de IoT e monetização de investimentos foram os três pontos que fundamentaram a participação de Márcia Ogawa Matsubayashi, sócia-líder da área Indústria TMT da Deloitte, que reconheceu os benefícios que IoT proporciona à “produtividade, à própria empresa e à experiência com o cliente” e provocou a reflexão sobre as dificuldades de relacionamento das empresas com o ecossistema de inovação.

A esses fatores, a executiva da Deloitte somou características específicas do Brasil, que, “diferentemente de países nórdicos e europeus, tem dimensão territorial complexa, heterogênea, inclusive na educação, e tem dificuldades na articulação, tornando fundamental a colaboração do Governo na articulação horizontal, como infraestrutura”. Essa realidade, garantiu Márcia Matsubayashi, leva as empresas “a se instalarem onde podem, onde há infraestrutura”, ampliando as desigualdades.

Demonstrando sua preocupação com a infraestrutura de que fala a diretora da Deloitte, Paulo Manuel Protásio, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, discorreu sobre iniciativa que coordena de utilização da rede de associações comercias em todo o País como ambiente favorável ao desenvolvimento e à aplicação prática dos benefícios da IoT ao cidadão, com agregação de valor.

Como exemplo, Protásio citou o fato de o País estar todo interligado pela rede de fibra óptica existente nas rodovias, principalmente no eixo Rio–São Paulo, assim como por iniciativas semelhantes nas linhas de transmissão e distribuição de energia. O que falta – está convicto – é “criar um ambiente mais propício à facilitação e à mobilização de novas relações. O Brasil precisa despertar os CIOs e os prefeitos tem de perceber que cidade inteligente é plataforma e projeto de governo”.

Liderança foi outro aspecto considerado no painel, tanto pela consultora da Deloitte, quanto por Gabriel Marão. “Para liderar inovação incremental, o time precisa ser multidisciplinar, mas, se as inovações forem transformacionais, é fundamental alguém instigando”, falou, ressaltando, ainda, a necessidade de mobilização da liderança e de transformação na empresa. “A dificuldade é que o CEO não conhece os benefícios da IoT. Por isso, cabe aos líderes explicá-los com um bom plano de negócios, que é um dos instrumentos mais poderosos de convencimento, e executá-lo na forma de piloto, para comprovar os benefícios. A empresa também precisa passar por uma transformação digital nem que seja pela concorrência visível e também por aquela que não é enxergada e que com certeza vai atuar no mesmo mercado”, preconizou Márcia Matsubayashi.

Marão, por sua vez, olhando para a dicotomia do presente, discorreu sobre a existência de conflito de liderança conservadora com aversão ao risco em contraposição à necessidade de fomentar a cultura do empreendedorismo. A alternativa, para o presidente do Fórum de IoT, está na implementação de uma campanha nacional de padronização das “coisas” para ter “ganhos de escala e baratear o custo. O brasileiro gosta de novidades, por isso devemos criar condições para ter um projeto estruturante. A liderança tem de vir através de um projeto”, garantiu.