A sessão focada em discutir as grandes revoluções da IoT para transformar o mundo foi dividida em quatro apresentações. Enquanto Alberto Paradisi, vice-presidente de P&D do CPqD, apresentou uma visão geral do IoT; Carlos Venícius Frees, especialista e líder de projeto da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), falou sobre Smart Cities: projetos estruturantes no Brasil para elevar a potencialidade da cadeia de TIC/IoT; Paulo R. dos Santos, gerente de produtos para a região Américas, da Festo, enfocou Industrial IoT – A revolução da indústria 4.0; e Paulino Souza Neto, Chief Medical Officer da Identhis, tratou dos problemas correntes da Saúde e soluções baseadas na IoT.

“O futuro vem com observação do presente, como chefes-robôs da Uber, advogados, pizzaiolos e entregadores, recepcionistas de hotéis, máquinas virtuais inteligentes no celular etc. No futuro, tudo vai se somar. Os objetos terão mais poder e o foco será a experiência do usuário”. Com essa afirmação, Alberto Paradisi, vice-presidente de P&D do CPqD, deu início à sua apresentação, conclamando o Brasil a investir para renovar o parque industrial e destacando a conectividade como o gargalo para o desenvolvimento da IoT, que definiu como a convergência do mundo físico e virtual.

Para Paradisi, o mundo entrará em uma nova fase da IoT, que batiza de IoT 2.0. Como explicou em sua palestra, a IoT 1.0 foi empurrada pela tecnologia e promoveu a logística de frotas, o rastreamento de veículos pelas companhias de seguros, a conectividade de pontos de venda, entre outros, mas a IoT 2.0 é orientada ao indivíduo, proporcionando a implantação de cidades Inteligentes, automação residencial, impactando na Saúde e no varejo, por exemplo.

 

Smart Cities – A promoção de cidades inteligentes e humanas está entre as metas da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que mantém grupo de estudo sobre o assunto e que busca agregar áreas do Governo que tratam de assuntos afins para dialogar, informou Carlos Frees, especialista e líder de projeto da instituição, que falou sobre Smart Cities: projetos estruturantes no Brasil para elevar a potencialidade da cadeia de TIC/IoT.

A tecnologia – de acordo com Frees – é ferramenta e exige planejamento e gestão. Também é preciso repensar o modo de agir e prover serviços de forma sustentável, selecionando áreas de necessidade. Além disso, a indústria precisa criar soluções que movimentem o mercado. Preparar o gestor público para entender essa evolução e ter indicadores também são necessidades elencadas pelo palestrante, que também cobrou o estímulo ao avanço de políticas e o debate dos diversos conceitos existentes.

Para Frees, é facilmente percebido que “mudou o modelo de negócio, porque precisa participar ativamente na definição de padrões de tecnologia, com entrega contínua de software e serviços”. Encerrou, deixando um questionamento: “O empresário está preparado para isso?”

 

Indústria 4.0 – Paulo R. dos Santos, apresentou os conceitos da Indústria 4.0 e provocou a reflexão sobre os desafios para sua implementação no Brasil, que envolvem, por exemplo, perfil profissional dos colaboradores, conectividade e diagnóstico em tempo real, entre outros.

O perfil do profissional da Indústria 4.0 – ressaltou Santos – é complexo, pois exige habilidades específicas e permeia toda a formação e não apenas a profissional, além de tecnologias e infraestrutura.

O que o Brasil precisa para participar dessa revolução foi a base da apresentação de Souza, na manhã de 1º de setembro, na sessão “As grandes revoluções da IoT para transformar o mundo”, abrindo caminho para os assuntos a serem tratados nas demais apresentações, nos dois dias do congresso.

 

Saúde – Discorrendo sobre a complexidade da Medicina, que tem progredido vertiginosamente e, na mesma proporção, leva a problemas decorrentes de seu exercício, Paulino Souza Neto, CMO da Identhis, frisou que “do simples ato de higienizar as mãos aos mais complexos e raros diagnósticos, a IoT desponta entre os principais provedores de soluções efetivas e eficazes em benefício de usuários, médicos, enfermeiros e gestores dos sistemas de Saúde”.

A IoT, ressaltou, é meio fundamental para a melhora da qualidade da Saúde Mundial. Elencando os problemas atuais da prática da Medicina, Paulino fundamentou seus comentários “na análise dos problemas atuais que afligem este setor, que não ocorrem de forma isolada, mas são constantes e independem do grau de desenvolvimento socioeconômico, situação geopolítica ou credo religioso”. Falou também da Inflação Médica (preços dos serviços de Saúde em constante elevação), que – está convicto – “decorre da incorporação de novas tecnologias, medicamentos e tratamentos que salvam vidas, aumentam a longevidade e melhoram a qualidade de vida”.

O CMO da Identhis, tecendo o panorama do setor, citou os riscos inerentes a todo e qualquer procedimento de assistência à Saúde, desde os mais simples aos mais complexos, e alertou sobre o fato de alguns problemas serem previsíveis e evitáveis, ou “Never Events”, como denomina a Joint Commission, mais renomada agência certificadora de qualidade na Saúde. “São eventos que jamais deveriam ocorrer, mas infelizmente acontecem com altos riscos de mortalidade e a um alto custo para a Saúde e resultam da interação de vários fatores que, se monitorados, podem ser facilmente previstos”, constatou Paulino, ao colocar a incorporação de inteligência a itens críticos via IoT como ferramenta necessária para a prevenção destes eventos.

Em sua palestra, Paulino apresentou um caso real de utilização com sucesso de recursos da Inteligência Artificial no Japão, que “se constitui o primeiro relato da IoT dando suporte ao diagnóstico e tratamento de paciente, apoiando na nobre missão de Salvar Vidas! Neste caso, um paciente com diagnóstico de Leucemia apresentou má evolução no tratamento, algo inesperado para tal patologia. Os dados da paciente foram inseridos no software Watson Oncology, ferramenta da IBM, que sugeriu tratar-se de variedade rara da enfermidade que necessita tratamento distinto. Com o novo tratamento instituído, a paciente respondeu de forma satisfatória”, comentou.

A escalada dos indicadores que medem a infecção hospitalar foi lembrada e usada como exemplo por este diretor clínico. “A despeito dos maiores esforços humanos, essa infecção se transmite principalmente pelo contato através das mãos. A higienização das mãos é recurso preconizado pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, o índice de conformidade deste simples ato precisa ser monitorado por grupos de observadores a cada trimestre, de acordo com a lei brasileira. Tal esforço hercúleo não atinge a todos os envolvidos no cuidado ao enfermo e resulta em benefício fugaz, que rapidamente perde seu efeito. Paralelamente, os micro-organismos têm desenvolvido resistência à última linha de fronteira de antibióticos conhecidos”, constatou e garantiu: “através da IoT podemos monitorar a conformidade de higienização das mãos individualmente, identificar e rastrear vetores infecciosos. Com isso teremos uma nova arma no controle de infecções”.