O professor da Poli/USP Sérgio Takeo Kofujo; Marco Antonio Carvalho, CEO da LMNto; Fábio Cossini e Fernando Cabrera, respectivamente gerente de desenvolvimento e IoT Enterprise Architect da IBM; e Huéliquis Romero Fernandes, gerente da Renesas Eletronics no Brasil, trataram do primeiro tema do dia 2: As bases da IoT para sustentar a inovação e os encaminhamentos que precisam ser dados a alguns problemas para fazer a IoT acontecer. Os temas desta sessão foram desde os desafios de carreira em IoT, os impactos causados pelo data storms e a importância da infraestrutura de software para viabilizar a IoT, até a interoperabilidade semântica apresentada pelo professor Takeo.

A palestra sobre semântica, enfocou “um tópico de extrema relevância para o tema do congresso: Internet das Coisas e Interoperabilidade”, pois, “com a perspectiva de crescimento do mercado de IoT em diversas áreas de aplicação, num cenário de dezenas de bilhões de dispositivos conectados na próxima década, a questão da interoperabilidade se apresenta como potencial e séria ameaça a esse mercado”, explica este professor, que tem internet das coisas, sistemas ciberfísicos, computação em Nuvem e Névoa, computação ubíqua e pervasiva, segurança e privacidade de dados, sistemas embarcados entre suas áreas de interesse, e que tem se dedicado de forma intensa ao estudo de Cidades Inteligentes e IoT.

Entre os gargalos que promovem a falta de interoperabilidade, o professor da Poli cita a padronização, pois ela “acarretará natural inibição no desenvolvimento de produtos e aplicações de IoT por parte das empresas de TIC”, comenta, informando que a interoperabilidade pode ser vista através de modelos de diversos níveis.

“Uma possível classificação divide a interoperabilidade em técnica, sintática, semântica e organizacional”, define, e lembra que “estudo recente da McKinsey apontou que, sem interoperabilidade, entre 40% a 60% do potencial mercado de IoT terá dificuldade em aportar valor”.

A meta da palestra – garante o professor Takeo – é discutir a questão da interoperabilidade semântica em um cenário onde a maioria das discussões se restringe à interoperabilidade técnica e sintática. Para isso, apresentou os problemas e as iniciativas para atacar esta questão. A interoperabilidade semântica tem sido alvo de estudos acadêmicos em outras áreas, incluindo sistemas de informação em saúde, e consiste na capacidade de os softwares comunicarem informações e terem essas informações corretamente interpretadas pelo sistema receptor, no mesmo sentido, define o acadêmico.

 

Recursos humanos – Os desafios de carreira em IoT foi tema de palestra de Marco Antonio Carvalho, CEO da LMNto. “Só gente gera significado”. Essa afirmação marcou o início da palestra e foi seguida de provocações sobre o que estimula um profissional sobre IoT e o que o assusta. A partir daí, Carvalho buscou levar os presentes à reflexão sobre a melhor maneira de preparar pessoas para a Internet das Coisas e qual a visão de negócio será demandada do novo profissional de IoT.

Segundo o CEO, esse profissional necessita da “habilidade de compreender como sistemas diferentes operam em conjunto, como Apps, Infra de rede, segurança, sistemas operacionais, etc., e suas competências terão de ser 80% técnicas e 20% pessoais, levando em consideração que cada vertical de negócio tem necessidades próprias. Além disso, é preciso considerar que a linguagem de programação é uma forma de se comunicar com o mundo e, assim, a visão do profissional do Mercado tem de ser mudada, pois não interessa mais onde ele foi formado, mas a que ele está servindo”.

 

Como os grandes volumes de dados podem impactar IoT – A aquisição da Weather Company pela IBM foi a base da palestra dos profissionais da IBM.

Fernando Cabrera Giglio – gerente de desenvolvimento – e Fábio Cossini – IoT Enterprise Architect – explicaram as metas estratégicas da aquisição dessa solução agregada à IBM Watson IoT Platform, suas aplicações e o que ela oferece em termos de conectividade, analytics, gestão de dados e segurança, detalhando alguns benefícios/usos decorrentes dessa incorporação, como operação de frotas, geolocalização e a existência de dados históricos passíveis de serem incorporados a aplicações diversas.

“A competição cognitiva vai levar a IoT a um novo patamar, e é no analytics que está inserida a Weather Co.”, frisaram os profissionais.

 

Infraestrutura de software – A importância dessa disciplina na viabilização de IoT, foi apresentada por Huéliquis R. Fernandes, gerente de Operações e Marketing da Renesas Electronics Brasil.

“A Era da IoT impõe novos desafios e novas barreiras para as empresas que pretendem penetrar neste vasto mercado. A abordagem tradicional de ‘fazer tudo em casa’, usada na maioria dos produtos feitos no Brasil, pode não ser suficiente para garantir a sobrevivência neste cenário”, explicou Fernandes ao falar sobre o tema. Para ele, a complexidade dos produtos para IoT “requer uma infraestrutura de software que não é encontrada facilmente nos repositórios de código aberto, e o desenvolvimento dos mesmos implica dispender grandes somas de tempo e/ou dinheiro para desenvolver, otimizar e integrar os diversos elementos que o mais básico dos produtos IoT precisam ter: conectividade, armazenamento de dados e criptografia”.

Quais são as escolhas disponíveis? Quais são os riscos e as implicações de cada uma delas? Essas duas questões, para Fernandes, resumem a reflexão e sinalizam os desafios do crescimento do uso de aplicações IoT. “As empresas têm de sofisticar seus produtos drasticamente, mas pouquíssimas delas têm o know-how ou a expertise em casa para fazer isso. Mesmo contratando profissionais altamente qualificados, estima-se que o tempo para implementar a infraestrutura de software (drivers, middleware, integração com RTOS, otimização e verificação), fundamental para o desenvolvimento confiável de produtos para IoT, levaria por volta de 18 a 36 meses. Mesmo usando código aberto e fazendo ‘apenas’ a integração, otimização e verificação em casa, ainda colocaria as empresas no limite inferior daquele prazo, isso considerando as hipóteses mais otimistas”, estima o gerente da Renesas, ao fazer um alerta: “neste novo e dinâmico mercado que é a IoT, levar mais do que nove meses para colocar um produto no mercado pode colocar a sobrevivência da empresa em sérios riscos”.

Está aí um dilema importante, desenvolvido pelo executivo em sua palestra no congresso e que sinalizou como alternativa para seu equacionamento a aquisição de “módulos de software comercial/profissional, que poderiam eliminar ou diminuir drasticamente as etapas de integração e otimização.