A comissão de especialistas responsáveis pela análise dos oito projetos apresentados no início de maio anunciou no dia 12 as quatro equipes selecionadas, que continuarão sendo tutoradas no desenvolvimento de suas soluções voltadas a cidades inteligentes de modo a serem expostos e demonstrados no estande do Espaço Inovação Futurecom 2016.

Desde que foi iniciado, em outubro de 2015, o Desafio IOT passou por seis etapas, que envolveram, por exemplo, curso EaD, minicurso de Project Model Canvas e apresentação dos projetos, tendo o desenvolvimento dos projetos e capacitação em metodologias de execução de projetos como meta. A cada nova etapa, mais afunila o processo de seleção.

Vinícius Garcia de Oliveira, responsável pelos processos de inovação da Diretoria de Redes Convergentes do CPqD, comemorando os resultados, afirma: “por ser uma iniciativa totalmente nova iniciamos o desafio com grandes incertezas, não sabíamos se teríamos um número suficiente de inscritos e se chegaríamos ao final com projetos interessantes. Para a nossa surpresa tivemos muitas pessoas interessadas e com excelentes currículos. Hoje, vendo os trabalhos apresentados e os grupos selecionados para exporem as suas soluções na Futurecom, tenho a certeza que propusemos o desafio no momento certo e que alcançamos todos os objetivos”.

Como lembra José Vidal Bellinetti, diretor do ITS, o objetivo era selecionar três projetos, mas, devido à qualidade das soluções apresentadas, a comissão de avaliação optou por quatro, e trabalharemos para que todas elas sejam demonstradas durante a Futurecom 2016, de 17 a 20 de outubro.

A comissão avaliadora foi formada por: Descartes de Souza Teixeira (ITS), Flávio Andrade (CPqD) , Gabriel Marão (Fórum IoT), Jefferson Marcondes (Fórum IoT), Ricardo Simon (Telit),  Ricardo Takahira  (Fórum IoT), Wagner Heibel (Fórum IoT) e Paulo Perrotti  (ITS).

O Desafio IoT é uma iniciativa conjunta do Instituto de Tecnologia de Software e Serviços (ITS), CPqD, Fórum Brasileiro de IoT, com apoio da Provisuale, promotora da Futurecom, nesta edição específica chamada Cidades Inteligentes.

 

Os projetos selecionados são:

 

Dispositivo de Coleta real Time dos dados do Meio ambiente: mede Temperatura, Ruído, Qualidade ar, Chuva, Humidade, Luminosidade e Raios UV, tendo uma plataforma IoT para consulta das informações coletadas em Real Time e de todos os dados históricos, suprindo a atual deficiência de dados assertivos das condições do meio ambiente segmentados em regiões específicas, abrindo um novo mercado assim que implementado para diversas setores (energia, hídrico, industrial, empreiteiras e principalmente empresas de Consulta de informações).

 

Placas de Informações Inteligentes I am: a proposta objetiva habilitar uma realidade aumentada de áudio, em pontos de informações turísticas. É direcionado para expositores em feiras de eventos, proporcionando, aos participantes, informações de áudio customizadas em pontos estratégicos das exposições. Tecnicamente o produto se utiliza de tecnologia IoT integrada a um app para smartphones. Diferente de algumas soluções já existentes, o raio de alcance dos pontos de informações chega até a 70m e atende múltiplos usuários concomitantemente.

 

Sistema de monitoramento de vagas de estacionamento público: visa a nacionalização de uma tecnologia de controle de vagas que vem sendo amplamente adotada em países europeus. O sistema consiste em sensores instalados nas ruas e em estacionamentos privados que detectam a existência de carros estacionados e enviam a informação para uma plataforma online. Estes dados podem ser acessados através um aplicativo online, onde será possível ao usuário localizar vagas disponíveis na região desejada. Com esta solução, a meta é contribuir com a construção do know how brasileiro em tecnologia voltada para cidades inteligentes, ajudando o país a se tornar produtor e exportador de tecnologia de ponta.

 

UrbanTrees: consiste em uma solução para inventário e monitoramento da arborização urbana, cujos benefícios, cientificamente comprovados, para a população das cidades, envolvem aspectos tais como conforto térmico, redução de ruídos, melhoria da qualidade do ar, dentre outros. Leva em consideração que, como todo ser vivo, uma árvore possui um ciclo natural de crescimento, maturidade e morte. Apenas na cidade de São Paulo, o número de queda de árvores cresceu 88% de 2014 (1.535 árvores) para 2015 (2.894 árvores), é o equivalente a uma queda de árvore a cada 4 horas. Quando uma árvore morre ou cai inesperadamente, diversos prejuízos financeiros e materiais podem acontecer, e muitas vezes a vidas podem ser perdidas. O sistema, por meio do escaneamento em 3D das árvores e do monitoramento continuo por meio de sensores IoT, fornecerá aos gestores públicos e privados, responsáveis pela arborização urbana, ferramentas para auxiliar no gerenciamento e planejamento de poda, otimizando as melhores rotas, custos, tamanho de equipes, além de identificar quais são as árvores mais críticas e que apresentam maior risco a sociedade.

 

Outros quatro projetos foram apresentados. São eles:

 

e-quilibrium: O maior benefício do projeto é mostrar a importância de compartilhar recursos básicos à vida humana, de forma sustentável entre os indivíduos. Isso é um problema complexo e de difícil solução, tanto na dimensão regional como nas grandes cidades. A medição do consumo de água, alimento, energia e internet em banda larga por indivíduo se torna o objetivo global do projeto/desafio IoT e-quilibrium para um futuro mais justo socialmente e sustentável economicamente. Formas intuitivas já existem para medir o consumo desses quatro recursos, mas o projeto da métrica “e-quilibrium” tem como motivação central desenvolver e prover uma nova plataforma tipo “middleware” para IoTs, em que cada indivíduo adicionado à base de dados IoT e-quilibrium será desafiado e motivado a usá-la por meio dos registros em tempo real de seu consumo, mostrando quanto uma dada população estará ou não equilibrada no uso desses recursos.
HidroT: consiste num conjunto de módulos tecnológicos que oferecem informações para suporte à gestão de águas por meio do monitoramento de sensores, cujo acompanhamento dos resultados pode ser feito pela internet em tempo real e compartilhado entre grupos de usuários. Os módulos são:  1 – Cota de águas subterrâneas; 2 – Corrente elétrica de bombas; 3 – Medidor de vazão (fluxos); 4 – Volume de caixas d´água e cisternas; 5 – Cota de corpos d´água; 6 – Parâmetros de qualidade da água, e; 7 – Umidade do solo. O objetivo do projeto é o de fornecer dados sensoriais para subsídio ao planejamento do consumo de água para condomínios, parques, indústrias, culturas agrícolas ou qualquer uso comunitário, na finalidade de combater o desperdício, reduzir custos, prever risco de enchentes, dentre outras aplicações.

 

IntegroT: pesquisa focada no desenvolvimento de um framework, que agregue dados de diversos tipos, coletados em fontes heterogêneas (inicialmente redes sociais, sensores, web), atendendo, assim, a necessidade de aumentar a inteligência dos sistemas a fim de torná-los perceptíveis ao contexto do usuário e ativos diante das novas informações que surgem continuamente, a fim de filtrá-las e entregá-las de forma personalizada. Este framework contará com algoritmos que possam aprender as preferências do usuário, seu contexto e seus sentimentos, via investigações distintas em cada uma das três fontes de dados: redes sociais, sensores, web. A partir deste framework surgirá a medição do índice de Felicidade Local como um norteador para Políticas Públicas e Privadas, seguindo os mesmos parâmetros indicados pela Organização das Nações Unidas ONU, em seu World Happiness Report 2015. Envolve, ainda, a criação de aplicativos (App) para os usuários finais e plataformas de visualização de dados para os gestores. A meta é contribuir para esta nova sociedade interconectada, oferecendo aplicativos mais pessoais, serviços mais adequados e informações mais interessantes aos usuários.

 

Pulseira vida: o objetivo é realizar a leitura dos batimentos cardíacos, enviar esta informação para uma plataforma Cloud para armazenamento dos dados, e enviar um alarme para pessoas / números de celular cadastrados, caso a frequência cardíaca caia abaixo de um valor pré-determinado. As doenças cardiovasculares são líderes em morte no mundo, sendo responsáveis por quase 30% das mortes no Brasil. Dentre estas, o infarto é uma das principais causas. A pulseira dará o alarme quando o usuário estiver com batimentos fora do padrão programado para ele. Por exemplo parou a pulsação, imediatamente é enviado um alerta com a localização do usuário para que ele seja socorrido. Esta pulseira irá também historiar os dados de frequência cardíaca em nuvem, para posterior análise e criação de padrões de batimentos cardíacos. Estes dados poderão servir no auxílio do diagnóstico de futuros problemas de saúde da população das cidades.