Coordenador da sessão sobre Governança e Ecossistemas de Inovação, Jeferson Marcondes, diretor executivo da WSCA, foi responsável por desenvolver palestra sobre os Padrões de IoT no Brasil. Marcondes soma a suas atribuições a coordenação da ABNT/COBEI da CE 03:13.01 e do Grupo Smart Grid/Smart Cities no Fórum IoT, além de membro da IEC e Conselheiro estratégico de negócios da Tekever.

A Internet das Coisas, posicionada como uma das maiores tendências tecnológicas do setor de Tecnologia da Informação, segundo a consultoria McKinsey, em 2025, deve gerar, em nível mundial, receitas entre U$ 3,9 trilhões e US$ 11,1 trilhões, contribuindo com até 11% do PIB global. Olhando para o momento atual, a consultoria BI Intelligence informa que o número de dispositivos conectados à internet irá saltar de cerca de 10 bilhões em 2015 para 34 bilhões até 2020, quando a população no planeta será de 7,6 bilhões – resultando em uma média superior a 4 dispositivos por pessoa.

Nesse cenário, a IoT objetiva “promover a integração da rede (internet) com negócios tradicionais, da manufatura à agricultura para gerar eficiência e competitividade em todas as áreas”, comenta Marcondes, lembrando que na estimativa dos maiores ganhos potenciais por país, o Brasil aparece no 9o lugar com um potencial estimado em US$ 70 bilhões até́ 2022, motivo mais do que suficiente, segundo ele, para o governo “incentivar essa fatia de mercado para que a evolução se faça e, se possível, ultrapasse o previsto”.

“Precisa garantir que a evolução tecnologia seja benéfica para o Pais de maneira sustentável, visando o bem-estar da população. Para isso, é fundamental reunir a iniciativa privada (todos os setores, especialmente as operadoras de telefonia, academias, centros de pesquisa) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, assim como viabilizar a participação e opinar diretamente nas entidades de padronização internacionais visando os interesses comerciais do País”, recomendou o diretor executivo da WSCA.

Como exemplo, citou a definição de padrões e protocolos como forma de garantir a interoperabilidade para as aplicações de IoT e alerta: “esse será o diferencial para sua viabilização técnica e financeira. Vale ressaltar que padrões e normas internacionais viabilizam as transações comerciais na Organização Mundial do Comercio (OMC) e geram riquezas. A sociedade, governo, universidades, centro de pesquisa precisam entender e interferir diretamente nas entidades de padronizações, pois, hoje, padronizar significa gerar negócios e negócios mais rentáveis com menor custo”, informou Marcondes.

O executivo situou a China como uma das protagonistas desse avanço da tecnologia e cita o exemplo daquele país, que “criou um comitê para definir padrões de interoperabilidade para aplicações de IoT. Colheu o resultado em 2012, quando a União Internacional das Telecomunicações aprovou o primeiro standard chinês, resultado do trabalho conjunto que uniu governo, setor privado e academia, com resultados positivos visíveis já em 2015, quando, segundo o advogado Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, o valor de mercado do setor de IoT na China atingiu naquele ano US$ 80 bilhões e a projeção é a de que em 2020 o valor chegue a US$ 163 bilhões”.