O empreendedorismo é uma atitude de grande valor. Empreender em TI – segundo José Vidal Bellinetti Júnior, diretor executivo do Instituto de Tecnologia de Software e Serviços (ITS) e diretor do Fórum Brasileiro de IoT – “nos aproxima dos grandes e importantes movimentos de transformação digital de nossos dias. No caso de Internet das Coisas, empreender é realmente importante, mas traz complexidade maior pela combinação de requerimentos de software, comunicação e hardware, bem como pela intensa transformação da cadeia de valor”.

Nessa declaração, o coordenador da sessão de encerramento do 1Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Internet das Coisas introduziu os desafios e os gargalos reservados à cadeia de Valor da IoT para as pequenas e medias empresas, cujos papeis vão além da geração de aplicações e se abrem a novos segmentos de infraestrutura e de hardware.

Que papel se reserva às empresas de IoT nascentes?  Quais são as suas necessidades? Quais as oportunidades de efetivos desenvolvimentos para pequenas e médias empresas de IoT? Como importantes players veem estas questões e quais são as iniciativas a serem destacadas? Para Vidal Bellinetti, esses são os pontos sensíveis a serem explorados na promoção efetiva do empreendedorismo em Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês de Internet of Things).

Além de Vidal Bellinetti – que também responde pela coordenação do Espaço Inovação desde 2005 e coordena o Desafio IoT Cidades Inteligentes – participaram da sessão: Flávio de Andrade Silva, coordenador do programa de IoT do CPqD; John Lemos Forman, presidente do Conselho Riosoft; Leonardo Mattiazzi, vice-presidente de inovação da CI&T; e Jimmy Lui, Manager de Technology Consulting & Open Innovation da Accenture.

O primeiro a se posicionar foi Flávio Silva, do CPqD, que frisou o fato de a instituição de pesquisa, sediada em Campinas (SP), ter IoT como tema estruturante, o que lhe levou ao lançamento de um laboratório aberto de empreendedorismo e inovação. “Também temos o ecossistema e o ciclo de vida das startups como objeto de estudo, assim como a busca de aproximação de empresas grandes com startups é rico. O CPqD pensa com o olhar voltado para o futuro ”, destacou, explicando o funcionamento do laboratório, que reúne startups pós-aceleradas e promove a mentoria tecnológica, refinando, se necessário, o modelo de negócios.

Já o presidente da RioSoft apresentou o programa de mentoria desenvolvido pela instituição, que se aplica a empresas de qualquer porte, e o grupo temático de IoT. Baseado na experiência da instituição que preside, Forman destacou as particularidades do empreendedorismo em IoT, resumindo-os em quatro pilares: “é preciso pensar em recursos para começar e crescer, porque o piloto, para validar o protótipo, é muito mais caro; padrões e plataformas, pois os organismos certificadores tendem a ser lentos e são atropelados  pelas empresas, dificultado a normalização e o desenvolvimento de um padrão; inovação aberta e crowdsourcing; e a convicção de que o mercado é global e que apesar de agir localmente, tem de pensar globalmente”!, resumiu.

A rede TeN – Tech Experience Network foi a temática da palestra de Leonardo Mattiazzi, vice-presidente de inovação da CI&T e responsável pelo desenvolvimento e implementação do projeto que conecta diversos agentes envolvidos e desenvolve negócios a partir de experimentação e aprendizado tecnológicos e não-tecnológicos utilizando IoT. Entre as características que diferenciam esta rede está o fato de prover experiências de conexão e permitir acesso gratuito à tecnologia.

Hoje, a rede congrega mais 35 empresas conectadas e cerca de 400 pessoas da Região de Campinas, desconsideradas as empresas coordenadoras e conectadas, sendo que mais de 130 pessoas já realizaram treinamentos em IoT pelo TeN.

 

Ao falar sobre os modelos de uso do TeN, Mattiazzi ressaltou a existência de três grupos básicos:

Estimular o conhecimento, estudo e experimentação do conceito de IoT. Pode-se realizar eventos para equipes e simpatizantes para criação de protótipos.
Eventos & Hackatons

Co-worked Innovation, voltado a profissionais independentes, alunos, Startups, Centros de P&D, pesquisadores e empresas criam experimentos de produtos/ soluções e modelos de negócios, a partir de problemas reais de mercado lançados na Rede por empresas coordenadoras do TeN; Treinamentos e capacitação de pessoas em áreas tecnológicas e não-tecnológicas, e que tenham intersecção  com a prática com IoT; e Eventos & Hackatons, que visam a estimular o conhecimento, estudo e experimentação do conceito de IoT. Pode-se realizar eventos para equipes e simpatizantes para criação de protótipos.

“A rede é integrada por empresas coordenadoras, que investem e coordenam as atividades em áreas abertas, lançando desafios e promovendo treinamentos; empresas parcerias, que fornecem tecnologias, ferramentas e treinamentos que viabilizam o desenvolvimento de experimentos, ou disseminam conhecimento em IoT; empresas conectadas, centros de P&D, startups ou universidades que tenham interesse em participar dos desafios lançados e que podem utilizar o espaço aberto para isso; clientes, que são empresas com um desafio que pode ser trabalhado na rede do TeN. Podem promover capacitação e eventos em IoT, bastando articular com alguma coordenadora; instituições parcerias que fornecem apoio institucional às atividades do TeN, auxiliando na promoção da iniciativa; e pesquisadores, alunos e experts, ou seja, pessoa física que tenha interesse em realizar atividades para aprendizado e aplicação de conhecimentos”, detalhou Mattiazzi.

Encerrando o painel, Jimmy Lui, gerente de Technology Consulting & Open Innovation da Accenture, discorreu sobre o programa de apoio a startups lançado em julho. Batizado de UP Innovation Lab, o espaço surgiu da percepção da Accenture do interesse cada vez maior das grandes corporações de se aproximarem do ecossistema de inovação e empreendedorismo, ao mesmo tempo que as startups encontram dificuldades para se conectar com as grandes corporações.

“O papel do UP Lab é servir de ponto entre startups e grandes empresas, pois são grupos em estágios muito diferentes, o que dificulta o trabalho conjunto. Já reúne 14 corporações, com interesse de inovar e apoiar a inovação, e 20 startups foram selecionadas”, resumiu Lui, reforçando o desafio da Accenture: conciliar interesses.