
O saneamento entrou definitivamente na agenda da transformação digital brasileira.
O contrato firmado entre Sabesp e Vivo, estimado em R$ 3,8 bilhões, marca um dos maiores projetos de Internet das Coisas aplicados à infraestrutura urbana no mundo. A iniciativa prevê a substituição de milhões de hidrômetros convencionais por dispositivos inteligentes conectados via NB-IoT até 2029.
O movimento vai além da modernização tecnológica.
A pressão real está na necessidade de reduzir perdas, melhorar eficiência operacional, ampliar previsibilidade da demanda e preparar a infraestrutura urbana para uma gestão mais orientada por dados.
O saneamento deixou de ser infraestrutura. Agora é também uma decisão de dados.

A narrativa dominante sugere que IoT representa uma solução imediata para os desafios históricos do saneamento.
O discurso costuma enfatizar consumo em tempo real, automação completa e digitalização total da operação. Em muitos casos, a percepção transmitida é que instalar sensores e conectividade já seria suficiente para gerar eficiência estrutural.
Na prática, a adoção é mais complexa.
Projetos dessa escala exigem integração entre dispositivos, redes de comunicação, plataformas analíticas, sistemas de faturamento, atendimento digital e operação de campo. Sem coordenação operacional, a tecnologia apenas aumenta o volume de dados sem necessariamente melhorar a capacidade de resposta.
O risco está em tratar IoT como aquisição de hardware quando o desafio real é transformação operacional.

O projeto utiliza conectividade NB-IoT (Narrowband Internet of Things), tecnologia desenvolvida para dispositivos de baixo consumo energético e transmissão contínua de pequenos volumes de dados.
Isso permite leitura remota dos hidrômetros, comunicação automática entre dispositivos e redução da necessidade de visitas presenciais para coleta de consumo.
Na prática, a operação passa a ter acesso contínuo a informações como padrões de consumo, anomalias, possíveis vazamentos e comportamento da rede em diferentes regiões da cidade.
O avanço é relevante porque o saneamento historicamente opera com baixa granularidade de dados.
Mesmo assim, a maturidade ainda não é plena.
A capacidade de coletar informação evoluiu mais rápido do que a capacidade de transformar esses dados em decisões operacionais em larga escala.
O impacto mais relevante do projeto não está apenas na digitalização da experiência do consumidor, mas na possibilidade de transformar a gestão hídrica urbana por meio de dados em tempo real. Em um cenário marcado por perdas elevadas de água tratada, pressão regulatória crescente e necessidade de expansão da infraestrutura, a medição inteligente pode melhorar planejamento, priorização de manutenção e eficiência operacional.
A aplicação já faz sentido para concessionárias com grande volume operacional, metas de eficiência e maior maturidade tecnológica. Operadores que enfrentam altos custos de leitura presencial, perdas relevantes e necessidade de ampliar capacidade analítica tendem a capturar valor mais rapidamente com IoT.
Ao mesmo tempo, o avanço não será homogêneo no país. A maturidade tecnológica entre municípios ainda é desigual. Enquanto grandes operadores possuem maior capacidade de investimento e integração sistêmica, cidades menores continuam enfrentando limitações de infraestrutura, conectividade e capacidade técnica. Nesse contexto, organizações com baixa integração operacional, cadastro inconsistente ou processos ainda manuais precisarão estruturar sua base antes de escalar investimentos em conectividade.
A tecnologia pode acelerar eficiência. Mas não substitui arquitetura operacional.
O contrato, se estende até 2039, garantindo o suporte contínuo para operação, manutenção e integração sistêmica dos dados a longo prazo.
Canal digital realizou 3 milhões de atendimentos e movimentou R$ 96 milhões em apenas 60 dias.
Historicamente, o saneamento operou com baixa granularidade de informações. A tecnologia NB-IoT muda esse cenário ao permitir a transmissão contínua de pequenos volumes de dados, o que viabiliza o monitoramento remoto de padrões de consumo e a detecção rápida de vazamentos ou anomalias.
O projeto Sabesp Vivo sinaliza uma mudança estrutural no saneamento brasileiro. Mais do que digitalizar hidrômetros, o movimento mostra que a infraestrutura urbana começa a migrar para um modelo orientado por conectividade, dados e capacidade analítica. O potencial de eficiência é real, mas a escala sustentável dependerá menos da tecnologia instalada e mais da capacidade operacional de transformar informação em decisão. No saneamento, o desafio não é apenas conectar dispositivos. É construir operações mais inteligentes, responsivas e preparadas para gerir cidades em tempo real.
https://teletime.com.br/06/08/2025/sabesp-e-vivo-fecham-contrato-de-r-38-bilhoes-para-iot-em-medidores/
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