
A gestão eficiente de recursos hídricos deixou de ser uma pauta ambiental para se tornar uma urgência operacional e financeira. No Brasil, as perdas na distribuição ainda consomem fatias críticas do faturamento das concessionárias. A digitalização da rede através de IoT surge como a resposta óbvia, mas a execução esbarra em uma decisão técnica de alto impacto: a conectividade.
O mercado está sob pressão para cumprir as metas do Novo Marco do Saneamento. O tema ganhou força mas a aplicação em larga escala ainda exige cautela na escolha entre redes licenciadas e não licenciadas.
No saneamento, IoT não é mais inovação é a diferença entre perder água e recuperar receita.

A narrativa dominante sugere que existe uma "tecnologia vencedora". De um lado, o NB-IoT é vendido como a solução definitiva por utilizar a infraestrutura das operadoras móveis. Do outro, o LoRaWAN é apresentado como o caminho para a independência total e custo zero de tráfego.
Essas generalizações ignoram a realidade de campo. A promessa de "cobertura total" ou "autonomia eterna da bateria" muitas vezes desconsidera obstáculos físicos, como hidrômetros instalados em subsolos ou áreas rurais sem sinal de celular. A decisão real não é sobre qual tecnologia é melhor, mas qual risco a operação pode absorver.

A evidência técnica mostra que NB-IoT e LoRaWAN atendem a requisitos distintos de infraestrutura:
● NB-IoT (Licensed): Oferece alta confiabilidade e penetração profunda em ambientes internos (indoor). Depende, no entanto, da disponibilidade da rede das operadoras e possui um consumo de energia ligeiramente superior em cenários de sinal instável.
● LoRaWAN (Unlicensed): Permite a criação de redes privadas em locais remotos e possui o menor consumo de energia do mercado. Contudo, exige que a própria concessionária (ou um parceiro) gerencie a infraestrutura de gateways e a qualidade do sinal.
No cenário nacional, a escolha tecnológica é territorial. Em grandes centros urbanos, a capilaridade das redes celulares favorece o NB-IoT pela facilidade de implementação. Já em distritos industriais ou cidades com topografia complexa, o LoRaWAN se destaca pela flexibilidade de posicionamento dos gateways.
Isso é para sua organização agora?
● Sim: Se o foco é redução imediata de perdas comerciais e leitura remota em áreas densas.
● Ainda não: Se a arquitetura de dados e a governança de TI da empresa não estiverem prontas para processar o volume massivo de alertas gerados.
Cada 10% de redução nas perdas pode representar milhões em recuperação
favorece redes celulares como NB-IoT, que já possuem infraestrutura instalada nas cidades.
Isso muda o modelo operacional das concessionárias, que passam de manutenção reativa para gestão baseada em dados.
A análise indica que o hype em torno das redes e tecnologias de IoT frequentemente simplifica a realidade, sugerindo soluções únicas e de “custo zero”, quando na prática até redes privadas envolvem custos operacionais contínuos de manutenção e gestão. A maturidade do setor aparece, na verdade, em projetos híbridos, que combinam diferentes tecnologias conforme as características de cada área de cobertura. No Brasil, o grande desafio é escalar essa infraestrutura em um cenário regulatório ainda em transição, o que exige planejamento e adaptação dos modelos de implantação. Nesse contexto, concessionárias com metas agressivas de redução de perdas e necessidade de faturamento mais preciso precisam agir imediatamente, adotando soluções tecnológicas mais robustas. Ao mesmo tempo, municípios de pequeno porte devem observar e se preparar, estruturando seus modelos de concessão para viabilizar a adoção futura dessas tecnologias.
https://tiinside.com.br/05/08/2025/sabesp-fecha-o-maior-projeto-de-iot-e-de-medicao-inteligente-com-a-vivo-no-valor-de-r-38-bilhoes/
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